(Source: poesiasdeumgaroto)
(Source: -theperfectmistake)
Nós vivemos à margem do que a sociedade acha que é certo. Só porque eu amo alguém igual a mim, em todos os sentidos, parece que até a cobrança das contas da casa em cima de nós é maior. Eu escolhi amá-lo mesmo sabendo que isso seria um fardo que incomodaria a todos.
No oitavo dia sentimos que tudo conspirava contra nós. Que importa a uma grande cidade que haja um apartamento fechado em alguns de seus milhares de edifícios; que importa que lá dentro não haja ninguém; ou que duas pessoas que se amam ali estejam, pálidos, movendo-se na penumbra como dentro de um sonho?
Entretanto, a cidade, que durante uns 2 ou 3 dias parecia nos haver esquecido, voltava subitamente a atacar. O telefone tocava, batia 10, 15 vezes, calava-se durante alguns minutos e voltava a chamar. Isso umas 3 ou 4 vezes sucessivas.
Alguém vinha e apertava o botão da campainha. Esperava. Apertava outra vez. Experimentava a maçaneta da porta. Batia com os nós dos dedos, cada vez mais forte, como se tivesse certeza de que havia alguém lá dentro, por mais calados e inertes que podíamos ficar. Estávamos quietos, abraçados, até que o desconhecido se afastasse, voltasse para a rua, para a sua vida e nos deixasse em nossa felicidade que fluía num encantamento constante.
Eu sentia dentro de mim, doce, essa espécie de saturação boa, como um veneno que tonteia, como se meus cabelos já tivessem o cheiro dos dele. Como se o cheiro da pele dele já se confundisse com o da minha. Nossos corpos tinham chegado a um entendimento que era além do amor, eles tendiam a se parecer no mesmo repetido jogo lânguido, e uma vez que, sentado, de frente para a janela por onde se filtrava um eco pálido de luz, ele disse: “Meu Deus, seus olhos estão se esverdeando.”
Nossas palavras baixas eram murmuradas pela mesma voz, como se nossas vozes tivessem se tornado uma só. Nossos gestos eram parecidos e integrados, como se o amor fosse um longo ensaio para que um movimento chamasse o outro: inconscientemente compúnhamos esse jogo de um ritmo imperceptível, como um lento bailado.
Mas também naquela manhã, ele se sentiu tonto, e senti também minha fraqueza. Meu mundo estava enfraquecendo! Resolvi sair, era preciso dar uma escapada para obter víveres. Vesti-me lentamente, calcei os sapatos como quem faz algo estranho; que horas seriam?
Quando cheguei à portaria do prédio e olhei, com um vago temor, um sol extraordinariamente claro atravessava as grandes vidraças, atingindo os olhos, a cara, descendo pela minha roupa…senti vagamente que aquecia meus sapatos. Fiquei um instante parado, encostado à parede, olhando aquele movimento sem sentido, aquelas pessoas e veículos irreais que se cruzavam; tive uma tonteira e uma sensação dolorosa no estômago. Os vizinhos, que muito raramente me viam sair de casa e vice-versa danaram a me encarar. Suas expressões eram de surpresa e, no meio delas, havia um olhar torto, como se eu tivesse feito algo errado. Ao passar por alguns, ouvi uns murmúrios e senti dedos sendo apontados pra mim. Ignorei-os e fiz meu caminho até a rua.
Havia um grande caminhão vendendo uvas pequenas, uvas escuras; comprei 5 quilos. O homem fez um grande embrulho de jornal. Voltei carregando aquele embrulho de encontro ao peito, como se fosse a minha salvação.
E levei 2, 3 minutos, na sala de janelas absurdamente abertas, diante de um desconhecido, para compreender que o milagre acabara. Alguém viera e batera à porta e ele abrira pensando que fosse eu, e então já havia passado por ali também o carteiro querendo o recibo de uma carta registrada, e quando o telefone bateu foi preciso atender. E assim nosso mundo foi invadido, atravessado, desfeito, perdido para sempre - senti que ele me disse isso num instante, num olhar entretanto lento. Seus olhos eram claros, há muito tempo não os via assim, em plena luz. Um olhar de apelo e de tristeza que me perguntava: “Quando é que realmente vamos nos isolar de todo esse mundo hipócrita e viver no nosso mundo onde só as nossas regras imperam?

Cara vida,
só te tenho a alguns anos, 19 pra ser preciso. Tem gente que te tem há mais tempo. Alguns costumam achar que você é algo que você não é. Muitos fogem de você e alguns chegam a pedir demissão, ou seja, praticam o suicídio. Também não é pra menos né? Você é cruel demais, nos faz de marionete, brinca com nossos sentimentos, nos tira o que temos de mais precioso e no final de tudo…ainda temos que ser gratos por estarmos te vivendo. Bendito paradoxo esse viu!
Outra parcela da humanidade é esperta (ou não) e te enfrenta, fica cara a cara com você e te diz: Pode vir com seu próximo desafio, vou te superar de novo”. Eles fazem isso porque sabem do que você é capaz e sabem que, se baixarem a cabeça, você ainda dá um jeito de neles pisar.
Pode ter certeza de que eu estou incluído nesse último grupo.
Depois de tudo que vocês me fez passar, melhor, depois de todas as vezes que você me fez cair e depois de todos os tapas na cara que recebi, acho que aprendi uma coisinha ou outra. Sei que ainda tenho muito que presenciar, sentir, amar, errar e aprender, mas já posso concluir algo sobre você. Você me apresentou dos melhores aos piores tipos de pessoas e ainda me fez acreditar que esses últimos eram de confiança, só pra me ver quebrar a cara depois. Estive por dentro de situação completamente desagradáveis. Já chorei muito.
Apesar de todos os momentos bons, você é uma VADIA!
Mas eu já me acostumei.
Beijos,
Breno Pacheco Andrade
Não vejo gente morta, mas vejo uns que deveriam estar.
(Source: negatividade)